Comparando preços de livros no Brasil e na Inglaterra

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Como eu já havia comentado anteriormente, eu moro em Londres e não consigo entrar em uma livraria ou supermercado e não comprar um livro. De um país ao outro os hábitos, costumes, preços e regras mudam muito, eu estou me adaptando para me controlar e aceitar que aqui os livros custam pouco e não é por isso que eu preciso comprar todos de uma vez.

No Brasil eu quase não comprava livros em livrarias. Honestamente eu achava doloroso dar mais de quarenta reais em um livro. Eu não digo isso por não achar que um livro valha meu dinheiro ou qualquer outra coisa. Sei que o autor se sustenta com esse dinheiro, sei que custa muito caro e não é fácil publicar um livro. Sei também que colocar um livro em uma livraria custa muito. E longe de mim desmerecer tudo isso. Eu não concordo com os valores de praticamente tudo em nosso país, impostos pesadíssimos sobre tudo. E exatamente os livros, que deveriam ser acessíveis a todos, acabam tornado-se luxo de uma minoria.

Eu comprava muito pelas lojas virtuais, principalmente pelo Submarino. As promoções incríveis que eles fazem com frequência, me faziam cometer loucuras de vez em quando, ao comprar 9 ou 10 livros de uma vez só. Semana passada mesmo, ainda que eu more aqui, encomendei alguns livros nacionais – e por isso nunca encontrarei aqui – que eu gostaria de ler e assim que minha mãe vier me visitar poderei tê-los em mãos. Tentei fazer um frete pela Saraiva para entregar aqui, me cobraram R$180, sendo que eu tinha comprado três livros. Pela Submarino, outros oito, mas não faziam entregas internacionais. Vão ficar no Brasil mesmo, por enquanto.

A questão é que aqui os livros são extremamente acessíveis. Para começar, o preço é tabelado. Todo livro já é impresso com seu valor, e não é preço sugerido. Quer dizer, até pode ser, se você quiser cobrar menos, fica a seu critério, mas nunca cobrará mais. A média de preço na maioria dos livros populares, de tamanho normal – umas 300/400 páginas – é £7,99. Claro que se você fizer a conversão e multiplicar o valor da libra em relação ao real atualmente, o livro sairia por uns R$40, do mesmo jeito que aí. A questão é que aqui não se ganha em real. No Brasil, o salário mínimo é de R$3.58/h e aqui, £6.50/h. Ou seja, enquanto os brasileiros trabalham 11 horas e 17 minutos para comprar um livro, aqui trabalhamos 1 hora e 23 minutos. Entendeu a diferença? Isso considerando que o livro esteja sendo vendido pelo seu preço máximo.

Outro dia eu li uma matéria interessante AQUI, muito mais detalhada que esse texto que estou escrevendo, analisando o preço de livros ao redor do mundo e comparando entre 10 países. O autor também concluiu que no Brasil livros custam caro mesmo. E que isso tem tudo a ver com a nossa cultura, pois o brasileiro não tem o costume da leitura. Portanto é aquela velha regra de oferta x procura.

Aqui em Londres também acontece que todo supermercado vende livros, e metade da estante é de promoções. O mercado que eu frequento vende 2 por 1. Semana retrasada comprei 3 por 1. As lojas aqui ainda aceitam uma coisa que é sempre frisado no Brasil que não é possível, promoção cumulativa. Outro dia eu fui a uma loja e um livro estava apenas £2 e o outro que eu peguei estava £4 em promoção e ainda tinha um adesivo “compre um, leve outro pela metade do preço”, conclusão, o primeiro livro saiu por £1.

Agora me explica, como não chegar em casa todo dia com as mãos cheias? É impossível se controlar.

Uma outra coisa que eu vejo muito por aqui e tenho começado a aderir são lojas de caridade. Todas são dedicadas a alguma causa, como a pesquisa da cura do câncer ou ajudar animais abandonados. Essas lojinhas estão presentes em todos os bairros e sobrevivem de doações e voluntários. E claro, a venda dos produtos é revertida para a causa. Você encontra de tudo, desde roupas e acessórios, até móveis, objetos de decorção e lógico, livros. É possível encontrar muita coisa boa, e com um pouco de paciência e boa vontade, encontrar best-sellers, clássicos, livros recentes, livros antigos e na maioria das vezes eles custam apenas £1. Pelo menos eu encontrei uma maneira de continuar alimentando meu vício e ajudar alguém ao mesmo tempo.

Em breve abrirei uma loja dessas: BCCCL = Busca da Cura de Compradores Compulsivos de Livros e vou vender, hum… livros!!!

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Resenha de “A Lua de Mel”, de Sophie Kinsella

Eu estava em uma livraria outro dia e dei de cara com um livro da Sophie Kinsella que ainda não tinha lido – foi lançado no Brasil em 2013, pela editora Record. Sophie é daquele tipo de autor que não interessa o que vem escrito na sinopse, eu compro simplesmente porque tudo que ela escreve sempre me agrada. O Segredo de Emma Corrigan é um dos meus livros preferidos. Por isso quando vi A Lua de Mel na prateleira, não pensei duas vezes.

Confesso que o livro não me agradou tanto quanto os outros dela e eu cheguei a pensar quando comecei a ler que minha teoria era furada. A estória é contada do ponto de vista de duas personagens principais, as irmãs Lottie e Fliss.

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Ao se dar conta de que o namorado nunca vai pedir sua mão em casamento, Lottie toma uma decisão. Termina o compromisso com ele e diz o tão sonhado sim a Ben, uma antiga paixão, com quem ela havia prometido se casar se ambos ainda estivessem solteiros aos 30 anos. Os dois então resolvem pular o namoro e ir direto para uma cerimônia simples e seguir para a lua de mel em Ikonos, a ilha grega onde eles se conheceram. Mas Fliss, a irmã mais velha da noiva, acha que Lottie enlouqueceu. Já Lorcan, que trabalha na empresa de Ben, teme que o casamento destrua a carreira do amigo. Fliss e Lorcan então elaboram um plano para sabotar a noite de núpcias do casal e impedir que os noivos cometam o maior erro de suas vidas. 

A verdade é que achei Lottie meio chata e por isso posterguei um pouco a leitura, me arrastando até pelo menos a metade do livro. O que me fez seguir em frente aos tropeços foi Fliss, mãe de um menininho de 7 anos com uma criatividade além dos limites sociais, em meio a um divórcio que a está deixando louca, que ama tanto sua irmã – de quem ela cuida como uma mãe, já que a delas não foi um grande exemplo – e por isso se mete em super confusões para garantir sua felicidade.

Lottie é uma pessoa que não lida muito bem com términos de namoro, sempre deixando Fliss desesperada antecipando qual a loucura que ela inventará após seus rompimentos. Mas quando Lottie está certa de que Richard, seu namorado, vai pedir sua mão em casamento e ele não o faz, Fliss tem certeza que dessa vez será pior que as anteriores. Ela só não imagina o quanto, quando Lottie lhe telefona dizendo que reencontrou um antigo amor – vivido há 15 anos em uma temporada na Grécia – e que se casará com ele. No dia seguinte. Para poupar tempo e enrolação.

Fliss entra em desespero e tenta de tudo para tirar a idéia maluca da cabeça de sua irmã. Nesse meio tempo ela conhece Lorcan, o melhor amigo e advogado de Ben, futuro marido de sua irmã, com quem ela achava que poderia contar para ajudá-la a terminar com a confusão que os dois estavam criando. Quando ela estava certa que havia convencido a irmã a adiar o casamento, e ter tempo de conhecer melhor seu noivo, Lorcan atrapalha a situação – não intencionalmente – e quando Fliss fala novamente com a irmã, no dia seguinte, esta já está casada e partindo para sua lua de mel na Grécia. E Fliss fará de tudo para que o casamento não seja consumado, permitindo que haja um anulamento quando ela conseguir chegar no hotel onde eles estão hospedados e fazer Lottie perceber que não deveria ter feito aquilo.

A sinopse não é muito boa, porque Lorcan não a ajuda a sabotar a lua de mel deles, ele na verdade fica meio horrorizado quando ela conta o que está fazendo para impedir que eles sejam felizes. E a faz duvidar sobre estar fazendo ou não a coisa certa.

Afinal, será que ela está indo longe demais tentando destruir a lua de mel dos dois? E se Ben realmente for o amor da vida de Lottie? Estará ela destruindo a chance de sua irmã ser finalmente feliz em um relacionamento só porque ela tem medo que Lottie sofra em um casamento como ela sofreu?

Cada capítulo é contado do ponto de vista de uma, então eu precisava passar pelos de Lottie, para poder ler as aventuras de Fliss. A partir do meio o livro ficou muito mais legal e, exatamente para saber o que aconteceria com Fliss, acabei lendo a segunda metade até de madrugada e não descansei enquanto não acabei.

Realmente não é o livro mais incrível da Sophie, mas é divertido, atual e cheio de micos, o que é de seu estilo e por isso vale a pena persistir e chegar ao final. Risada garantida em diversas passagens.

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Resenha de “Fangirl”, de Rainbow Rowell

Eu ia postar a resenha de um outro livro essa semana, mas depois de ler Fangirl, eu precisei deixar tudo de lado e falar sobre ele, porque após dois dias ainda estou com aquele buraco no coração de quando um livro acaba e você não sabe mais o que fará da sua vida. Como se tivesse perdido um amigo.

Toda vez que eu ia na livraria e via esse livro, achava a capa fofinha – adoro capas, normalmente compro livros pela capa – mas deixava de lado com receio de ser infantil demais. A sinopse era interessante para mim, mas pensei que a abordagem do tema seria infantil. Ainda bem que eu resolvi comprar mesmo assim.

Sinopse

Cath é fã da série de livros Simon Snow. Ok. Todo mundo é fã de Simon Snow. Mas para Cath, ser fã é sua vida – e ela é realmente boa nisso. Vive lendo e relendo a série; está sempre antenada aos fóruns; escreve uma fanfic de sucesso; e até se veste igual aos personagens na estréia de cada filme.
fangirl_coverdec2012Diferente de sua irmã gêmea, Wren, que ao crescer deixou o fandom de lado, Cath simplesmente não consegue se desapegar. Ela não quer isso. Em sua fanfiction, um verdadeiro refúgio, Cath sempre sabe exatamente o que dizer, e pode escrever um romance muito mais intenso do que qualquer coisa que já tenha experimentado na vida real.

Mas agora que as duas estão indo para a faculdade, e Wren diz que não a quer como companheira de quarto, Cath se vê sozinha e completamente fora de sua zona de conforto. Uma nova realidade pode parecer assustadora para uma garota demasiadamente tímida. Mas ela terá de decidir se finalmente está preparada para abrir seu coração para novas pessoas e novas experiências.

Será que Cath está pronta para começar a viver sua própria vida? Escrever suas próprias histórias?

Li algumas críticas sobre a personagem principal ser tediosa, boba e antissocial. E acho que as pessoas que não foram fanáticas por alguma coisa – como livros, bandas, etc -, ou super nerds como a Cath, realmente não conseguiriam entender bem o “espírito do livro”. Quase todo adolescente nerd é meio bobo, cheio de receios e medos. Antissocial por natureza por se sentir mais seguro dentro do mundo da fantasia que perto de pessoas reais.

O livro me interessou a princípio exatamente porque eu já estive no mesmo lugar que ela. Eu fui uma adolescente reclusa, que detestava noitadas e cancelava qualquer evento (exceto a Bienal do Livro) para poder ficar em casa lendo e escrevendo fanfics. Sou fanática por Harry Potter, estive em todas as estréias dos filmes e livros – sem cosplay, porque eu tinha vergonha – e mesmo aos 27 anos ainda choro e vibro com todas as notícias desse mundo que fez parte da minha vida. E é exatamente assim que ela se sente. O mundo dela é baseado no amor que ela sente por essa série literária – nitidamente baseada em Harry Potter – e nos seus próprios fãs, já que ela escreve uma fanfic muito famosa. Sua irmã gêmea escrevia com ela, eu escrevia com minha melhor amiga. Me identifiquei demais.

À parte de todas as referências a esse universo de vida paralela, o livro é muito fofo, com uma linguagem fácil e divertida. Eu nunca tinha lido nenhum livro da autora – Rainbow Rowell – e adorei. De tudo, o que eu mais amei no livro, sem sombra de dúvidas, foi Levi. Ela se apaixona por ele e apesar de o livro ser mais focado nela – em seus dramas familiares e pessoais, seu amadurecimento e como ela enfrenta seus medos – e não no relacionamento deles, ele aparece bastante e é sempre especial, incrível e fofo. Nunca pensei que eu poderia me apaixonar por outro personagem quase tanto quanto sou apaixonada por Michael Moscovitz d’O Diário da Princesa.

As cenas em que ele aparece, sendo totalmente fofo, sorridente, carinhoso e sempre cuidando dela, me faziam sentir aquele friozinho na barriga, que dava um salto sempre que ele chegava perto dela. Adoro estórias que me causam essas sensações.

Com certeza Fangirl entrou para lista dos meus livros preferidos. Foi lançado no Brasil em 2014 pela Editora Novo Século.

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Porque Divertida Mente não é um filme para crianças

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O novo lançamento da Disney Pixar, Divertida Mente é super colorido e cheio de personagens fofinhos, perfeito para animar crianças e adultos que adoram animações leves e engraçadas, certo? Não exatamente.

A proposta do filme é que possamos ver como funciona nossa mente, com uma personalidade para cada sentimento, como alegria, tristeza, raiva, medo e repulsa. A estória é centrada em Riley, uma garota divertida de 11 anos, que adora jogar hockey e de repente vê seu mundo dar uma reviravolta ao ter que enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar Minnesota, sua cidade natal, para viver em São Francisco. Dentro de seu cérebro, onde convivem as emoções normalmente organizadas, tudo começa a se bagunçar e as emoções ficam perdidas e misturadas ao se depararem com a chegada a uma nova escola.

Interessante ver como os sentimentos trabalham para controlar os movimentos, pensamentos e sonhos. Como organizam as memórias e como estas formam a base do nosso caráter e personalidade. Não sei se é uma coisa que todo mundo já tenha imaginado, mas eu cresci aprendendo sobre o corpo humano com um livro d’Os Smurfs onde cada Smurf tinha uma tarefa para fazer o corpo funcionar, então a minha imaginação um tanto quanto infantil, ainda gosta de pensar que pequenos seres fofinhos tomam conta para que tudo dentro de mim funcione direitinho.

E é quando a Tristeza começa a atrapalhar as memórias e acaba criando uma confusão enorme dentro da cabeça de Riley, fazendo com que a Alegria, que até então controlava praticamente tudo por ali, fique louca para consertar a bagunça e fazer a menina voltar a ser simplesmente feliz. Uma criança assistindo o filme vai achar engraçado, mas nunca vai entender o que isso quer dizer. Até os 11 anos, Riley foi uma criança alegre. Como todas deveriam ser. Não têm problemas, não precisam enfrentar sentimentos conflitantes, não têm contas para pagar. Só devem se preocupar em brincar e ir à escola. Choram quando querem alguma coisa, mas nunca é uma coisa que dure muito, logo estão rindo novamente.Inside-Out-Q&A-Joy-Sadness

A mensagem por trás do filme é que Riley deixa de ser criança ao ter que enfrenter mudanças inesperadas e lidar com situações para as quais não encontra-se preparada. Ela agora é uma pré-adolescente e a partir desse momento as coisas só irão piorar. Não no filme. Na vida real. Isso é o que a gente sabe que acontece com todo mundo. Os problemas e os conflitos só crescem a partir daí.

Precisamos, diariamente, lidar com tantas coisas, contas, relacionamentos, filhos, problemas, trabalho e isso tudo leva a uma montanha-russa de sentimentos em um só dia. Ao final do filme, a Alegria entende que para Riley ser feliz ela precisava deixar a Tristeza tomar conta de vez em quando. E nós somos exatamente assim, precisamos deixar que as lágrimas rolem, a raiva domine, que o medo nos faça ter cuidado para que, depois que as lágrimas secarem e a raiva passar, a gente possa pensar mais claramente e perceber que podemos e seremos felizes apesar de tudo. O medo? O medo a gente bota no bolso e vai em frente. Porque ninguém é feliz sem arriscar de vez em quando.

A vida vai sempre colocar obstáculos e problemas no nosso caminho, mas cabe a nós mesmos decidir entre se deixar abater ou erguer a cabeça e seguir em frente. Somos nós quem temos o poder da decisão de sermos felizes e quais coisas nos farão mal, o que deixaremos que nos atinja. Eu não estou dizendo que isso é fácil. Mas não é impossível.

” Algumas lições de sabedoria e maturidade a gente só aprende através da dor.” @jeyleonardo

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Tsundoku

tsundoku

Preciso confessar que sou uma pessoa de fases. Passo meses sem comprar um livro e às vezes até sem ler. Mas de repente, dá um click e alguma coisa estranha toma conta de mim e eu começo a pensar e respirar livros o dia inteiro. Leio em uma velocidade monstra igual um esfomeado, há dias sem comer, mergulha em um prato de comida. E compro com a mesma voracidade. Obviamente não leio na mesma proporção em que compro e isso faz com que minhas prateleiras fiquem cheias de livros não lidos, sempre na promessa de que serão os próximos.

Eu não fui uma criança leitora. Eu odiava ler e sofria ao ter que ler os quatro livros anuais para a escola. Não entendia porque tínhamos que passar por aquela tortura. Meu ódio tomou proporções majestosas no dia que fui obrigada a ler O Pequeno Príncipe e fazer uma prova sobre ele. Fui praticamente a única da sala a tirar uma nota boa. Isso levou a professora a reaplicar o teste e anular o anterior. E então eu fui a única da classe a tirar nota baixa. stack_of_books2Eu fiquei com tanto ódio que joguei o livro fora. Me dói só de pensar que fiz uma atrocidade dessa com um livro um dia. E ainda tenho raiva do pobre príncipe, mas sei que um dia darei uma nova chance a ele.

Foi quando mudei de escola aos 11 anos. E de repente os livros que me deram para ler eram viciantes. Agradeço Pedro Bandeira até o fim da minha vida por me conduzir a um mundo do qual não faço e nem farei jamais a mínima questão de sair. J.K. Rowling quebrou definitivamente a minha barreira sobre o tamanho dos livros que eu era capaz de ler. Minha melhor amiga, essa sim uma criança leitora, me fez ler o primeiro Harry Potter lá nos idos anos 2000. Confesso que não foi fácil. Demorei muito para pegar o embalo e aquele livrinho de 224 páginas me parecia a Bíblia.

Depois disso, não parei mais. Já vivi em muitos mundos. Já vivi muitas vidas. Já sofri, sorri, chorei e me encantei. Não há filme no mundo que proporcione a mesma alegria e sensação de plenitude que um livro bem contado. Sou leitora, sou escritora, sou viciada e quero morrer assim.

Penso em quem eu seria se não tivesse lido todos os livros que li ao longo da minha adolescência. Tenho a impressão de que não seria uma pessoa de quem eu poderia me orgulhar como sou agora. Eu provavelmente não teria entendido como ser uma pessoa melhor ao me colocar no lugar das pessoas antes de julgar. Eu não seria tão forte, não acreditaria na minha capacidade e potencial. Eu não apreciaria a minha própria companhia, às vezes não preciso de nada além de um livro para me sentir completa. Eu sei quase com certeza que não moraria em Londres. E não teria sido tão boa em redação na escola, mesmo sem fazer esforço.

Provavelmente sequer saberia quem são Meg Cabot, Paula Pimenta, Nicholas Sparks, Dan Brown, Sophie Kinsella, Eleanor H. Porter. Eu saberia quem são Pedro Bandeira, Ariano Suassuna, Rachel de Queiroz, Luís Fernando Veríssimo, Machado de Assis, Moacir Sciliar, Victor Hugo, mas só porque me abrigariam a ler na escola. E isso é triste. Muito triste. Não gosto de pensar em um mundo assim.

georgerrmartin

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Resenha de “O Diário da Princesa – Casamento Real”, de Meg Cabot

Nada mais perfeito para começar o meu blog do que fazer a resenha do novo livro de uma das coleções que mais marcou a minha adolescência. Ainda não foi lançado no Brasil mas no site oficial da autora está previsto para Outubro de 2015, então podem anotar na agenda.

A nova aventura de Mia Thermopolis foi lançada para comemorar os 15 anos de lançamento do primeiro volume da série – pausa para analisar como estou velha -, e nós, que amamos a série, não poderiamos ficar mais felizes com a notícia. Pelo menos, eu não poderia. Estava com muita saudade de Mia e Michael e a Meg Cabot não decepcionou as fãs que cresceram junto com eles, nos entregando um romance mais adulto e mais, hum… apimentado, digamos assim.

bookSinopse 

A vida da princesa Mia em Nova Iorque é uma turbulência glamurosa. Não só ela precisa lidar com colunistas fofoqueiros e enxeridos em frequência diária e os paparazzi seguindo cada um de seus movimentos, como também esperam que ela encante ricos desconhecidos em compromissos reais. Falando em compromisso… O maravilhoso namorado de longa data de Mia, Michael, fez o pedido em uma exótica ilha no Caribe. Finalmente eles estão prontos para sossegar… ou foi o que ela pensou.

Quando Mia e Michael retornam da escapada romântica na ilha deserta, eles descobrem que estão metidos em um escândalo de majestosas proporções! Um escândalo que poderia transformar até o calmo Michael em um noivo fugitivo… Pior ainda, um político gerando intrigas está tentando forçar o pai de Mia para fora do trono. 

Mia pode até estar pronta para casar, mas será que ela está pronta para reinar também? 

Eu li o livro todo em menos de um dia, e isso não é pouco, são 434 páginas, mas eu simplesmente mal parei para comer e dormir porque eu não podia deixar de lado. Acho que estava com abstinência de Michael Moscovitz ♥. E suas aparições não deixaram nada a desejar.

Mia continua meio bitolada, hipocondriaca e paranóica, mas dá para notar bem que ela amadureceu, afinal está com vinte e seis anos e aprendeu bastante com Grandmère sobre como lidar com os obstáculos no caminho, mesmo que se recuse a admitir. Continua engajada em suas causas e se envolvendo em confusões gigantescas com sua mania de sempre querer ajudar todo mundo. Ainda por cima lidar com a aparição de uma meia-irmã que seu pai havia escondido nos últimos doze anos, não é uma tarefa fácil se juntarmos a tudo que ela já apronta sozinha.

Minhas reações ao longo do livro poderiam se resumir a basicamente duas: risadas escandalosas e choque total. A maioria dos choques foram por causa de falas e cenas que eu não esperava ver n’O Diário da Princesa, mas quem lê os livros da autora como Patrícia Cabot já estava acostumado. Não estou dizendo que não adorei!!!

“Você realmente acabou de se referir aos seus testículos como ‘meninos maus’?”

“Não é como se você não tivesse sido avisada, Mia. Como já havia sido declarado anteriormente – por aquela reportagem de alta qualidade da InTouch – , eu sou o maior amante do mundo.”

“Está mais para o maior idiota do mundo.”

Meg avisou que eles haviam crescido e que poderia ser ou não que tivesse rolado sexo no salão real. Será??!

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Por onde começar?

UntitledPassei as duas últimas semanas pensando em criar um blog, mas não sabia qual tema deveria seguir, então, analisei as minhas possibilidades.

Eu puniversidade-dos-monstros-monstros-s-a-2-filme7oderia criar um blog de Moda e Beleza. Mas que tipo de dica eu poderia dar para alguém se estou, nesse exato momento, vestindo um pijama de Monstros S.A., toda descabelada (e acreditem, esse é meu normal) e mesmo com 27 anos ainda não faço idéia do que fazer para me livrar das espinhas que insistem em aparecer no meu rosto todo dia. Eu nem conseguiria fazer um look do dia porque passaria uma semana (e já teria trocado de look) escolhendo a foto que tivesse ficado menos pior.

Um blog de Fitoutback8ness e Dieta, nem passou pela minha cabeça porque só de pensar eu já caio na gargalhada. Esse negócio de frango, batata doce e clara de ovos pra mim não rola. Até bebo um suco verde dia sim, dia não (no último mês, pelo menos, o que no meu caso é tempo pra caramba), mas não deixaria de comer uma costela e um Thunder (brownie, sorvete e calda de chocolate) no Outback Steakhouse para comer uma Ceasar Salad. Não. Mesmo que eu passe a semana bebendo suco verde depois.

Eu poderia escrever sobre gastronomia, viagens, livros, filmes, mas não acho que seria capaz de falar com propriedade sobre nenhum dessses assuntos. Eu me aventuro na cozinha e não é sempre que dá tudo certo. Eu sou formada em turismo, adoro viajar, mas não viajo tanto assim. Eu leio pra caramba e isso já é o suficiente para eu achar até que sou capaz de escrever um livro.

Caramba!!! E se eu falar sobre isso tudo que me interessa e ainda escrever um livro chick-lit, gênero que eu tanto amo?!?!

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